terça-feira, 12 de agosto de 2008

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Faça esse passeio. Pode ser bem legal...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O outro

Como fazer para lidar com interpretações de identidades definidas por conceitos da visão subjetiva sendo que, em algum momento, paira sobre nós uma questão não tão compreensível: a relação com o outro.
A questão é: qual é o papel do outro em nossa vida?
O outro é o desconhecido, o enigmático. Um complemento, nosso lado oposto .... o lado de fora; uma visão por outros olhos.
Tudo com relação ao outro é diferente em relação a nossa própria visão de mundo.
A individuação se contrapõe às necessidades do coletivo.
A pós-modernidade colocou o individuo à reserva de tudo o que não diz respeito aos seus conceitos interpretativos. O outro entra em afrontamento ao querer individual.
Como a visão de mundo, os conceitos adquiridos, a verdade, o conhecimento, a essência, tudo o que existe em nós é alheio ao outro...tudo o que não somos é o outro, e nos cabe a inobservância da exteriorização desse novo conceito. O que eu não vejo eu ignoro. O que não está em mim não existe. O individual num estado de ser absoluto. O meu entendimento, o meu dicernimento acerca do que me basta. O outro serve de adorno. Faz parte da paisagem.
O outro é o lado de fora, outra realidade, o que eu não consigo ver em mim, e que diretamente me foge ao entendimento, um interagir quase indecifrável.
Meu discurso me atende e às necessidades do que eu sou, e o outro não me cabe em lugar nenhum.
Isto é o que o mundo nos impõe. Isto é o que o agora nos impõe.

domingo, 15 de junho de 2008

Num segundo sem Cássia Eller

Foi como um estrondo caído do céu.
O sol estava tímido apesar de o calor intenso.
A sala clara. Dia de não fazer nada, mais um ano jazia à nossa porta. Quando, de repente, tudo o que ninguém precisava ouvir naquela hora.

Cássia Eller está morta!

Vítima não sei de quê, numa clinicazinha fajuta do bairro das Laranjeiras, na zona sul do Rio, onde morava.

Não dava pra acreditar porque tínhamos estado com ela em seu último show dias antes.

No palco, num cenário de rosas, uma única flor reluzia linda como eu jamais havia visto nada igual.
Estava ali representada uma mulher singela e tímida, que me mostrava uma pureza da alma de um anjo.
O seu olhar, naquele dia, da profundeza deixava escapar um sorriso raro entre os lábios e com uma enorme delicadeza desnudava um ser feminino com uma sensualidade que se deixava aparecer em cada movimento, num sorrir....num olhar... como jamais era visto em seu erudito gesticular masculino.

Dos bastidores, eu apreciava aquela voz rouca, um instante mágico que eu jamais imaginei estar sendo o último.
A Cássia, como ninguém, emitia uma magia, uma transgressão intrigante, uma clássica coragem de ser aquilo que pensa...parecia não ser deste mundo real.....

Mas no fim do show, pedindo licença à minha timidez e à dela, abri meu coração e mandei de uma única voz:

_ Que mulher era aquela, no palco, hoje...? Linda, singela! que sorriso era aquele?

E no melhor estilo "moleque de rua", recebi um tímido abraço, com um tímido sorriso, numa estritamente tímida despedida!

É difícil acreditar até hoje no que me ficou gravado daquele momento.
Das palavras que a gente sempre deixa de dizer, do sentimento que deixamos de demonstrar. Do deixar pra falar depois....deixar pra depois......que depois?

Se não tivesse falado com a Cássia naquela hora, estaria com as palavras intaladas na garganta, com uma tristeza ainda maior no meu peito...não me perdoando por não ter dito, por ter me privado daquele carinhoso abraço....

A morte da Cássia é uma revolta. Um vazio. Uma voz calada deixada de herança.

Por quê Cássia morreu...???...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sobre o bem-querer

O bem-querer é o sentimento mais profundo e sua natureza é de ser quase tímido.
É o mais fiel dos sentimentos.
Estreito em sua forma, objeto de um sujeito e único, um bem jamais tocado por outrem, subjetivo, íntimo e próprio.
Ninguém pode jamais roubar um sentimento como este. Você pode roubar o amor, a razão, o coração...mas um bem-querer, jamais.
O bem-querer é um gostar verdadeiro, público... privado, às vezes tão inconfessável que secreto. Inviolável.
O que eu sei sobre o bem-querer é um gostar de verdade de alguém. Gostar por gostar, sem querer nada em troca. Sem querer sem querer... só um gostar... que fica guardado por dentro, intocado. Mas que de repente a gente lembra e fica feliz só por lembrar.
É o que há de mais singelo e puro que existe, pois não depende de nada...nadinha.
O querer-bem nasce de um olhar, uma palavra de carinho... um pequeno gesto e uma impressão que fica. E fica pra sempre.
Eu guardo quereres. As pessoas passam mas deixam resíduos de boas lembranças. E uma emoção imensa em cada uma delas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Cordilheira

Bocejar
Dia claro, vida a verdejar
Luz por entre os cachos amarelos do ipê
Deu pra ver
Você me tocou sem perceber
Você nem me olha
E eu não posso te esquecer
Creio em ti
Se for ilusão, que Deus me guie
O que não fazer pra se merecer tal mulher
Cerração
Noite na janela meu querer
Porque te venero, sempre espero por você

Por sobre a cordilheira, o arco-íris
Meu corpo treme ao pensar no seu, frenesi
Te quero,
Mesmo pra te dar sem ter retorno
Te quero assaz
Te quero assim
Te quero pra mim
Escada pro pecado, caso de amor
Teus lábios tão sonhados
Vão me ter sempre aqui
À espera de um olhar que faz
Dia romper
O céu cair
Noite fechar
E faz o meu ar desaparecer.

O luar que eu vi no lago azul
Daria pra você
O luar que eu vi no lago azul
Num instante se escondeu


Djavan

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Eu conheço o verdadeiro amor

O amor é um sentimento que te rouba a alma.

Que empresta de você todos os seus desejos e todos os seus sonhos para devolvê-los depois pela metade.

Transforma você em compartilhamento, em doação. O amor não soma. Ele divide. Ele te rouba. Te ausenta de você.

O amor é uma bifurcação. Ele desvia. Ele engana. Ele te encanta.

Ele prepara armadilhas. Transgride. Transforma. Ele derruba. Ele levanta.

Para o amor não há fronteiras, linhas, divisórias, muros. Ele salta. Empurra. Domina.

Ninguém pode escapar do amor quando ele chega. Mas ele pode matar você. Ou te fazer se sentir feliz.

O amor é uma espécie de sonho. Ou uma espécie de pesadelo.

Ele é doce e adoece. Ele brinca com você. Ele te faz chorar.

Mas ele traz grandes alegrias e alguma serenidade.

O amor é eterno. Inquieto. Ele não te deixa fugir. Nem esquecer.

O que há em nós quando encontramos o verdadeiro amor?

Um privilégio.

O verdadeiro amor é um privilégio.

Ele te esmaga. Te amordaça. Faz você doer. De alegria. Tristeza. Dúvida. Incerteza.

O amor é uma eternidade que faz a alma doer, para poucos saberem o que é a existência.

O verdadeiro amor é para poucos.............

Sobre o amor

O amor é uma eternidade que faz a alma doer para poucos descobrirem o que é a existência.

Um eterno amor e um piano

Minha amargura vem da amargura dos poetas
minha felicidade das minhas crianças
de meus amores um só amor que me mata
como eu te amo
amor de minha vida

da crueza das palavras mal ditas
um silêncio profundo se entrelaça
numa garganta que só quer te bendizer
porque a ti eu amo tanto
e a ti pra sempre amarei

como eu te amo
amor da minha vida

Sei do teu amor por mim
e sei que é único
e sei que só a morte vai explicar
sua grandeza infinita

para morrer basta parar de respirar
meu ar em ti não vai faltar
e o pulsar sem fim
de tudo que há em mim
há de vingar a minha ausência

e de tudo só meu amor por ti
há de sobrar
a explanar um céu de eterno amor
que de outras vidas este amor vindou
e a outras terras deslizará

não entendo um amor tão grande assim
minha vida se modificou por ti
tua presença em mim frutificou
e o nosso amor jamais vai acabar

minha garganta pede por te bendizer
de um amor por ti que tive
e tenho e terei para sempre
apesar do meu calar profundo
porque a ti eu amo tanto
e a ti sempre amarei

como eu te amo
amor da minha vida
que nem a minha morte há de levar

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Vingança de mim

Vingo-me ao entrar no seu eu profundo

e enraizar minha audácia no seu íntimo

Minha vitória há de haver em sua perda

Do meu eu profundo digo que sei

não foi fácil me apartar das provas

daquele seu devaneio

Mas venci por me virar


Da vingança tive que beber todo o veneno

e experimentar toda a sua glória de prazer

e enfrentar todo o frio do enfrentamento

e todo o faz-de-conta tive que vencer

mas meu acreditar em mim venceu

E eu cresci...

Sobre a vingança

Vingo-me ao me dirigir ao seu eu profundo
e enraizar-me vitoriosa no seu íntimo.
A presença da minha audácia há de haver em sua perda.